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Um País que verga, mas não quebra!

João Amorim Costa

Joáo Amorim Costa

Arquiteto

Atravessei o país de norte a sul nos últimos dias, ao volante, devagar, com tempo para olhar, parar e sentir. E o que encontrei foi um território marcado por um rasto pesado de intempéries: encostas feridas, paisagens inteiras de árvores tombadas, rios fora do leito, estradas cortadas, fachadas castigadas, telhados arrancados, sinais evidentes de que este está a ser um inverno duro. Um verdadeiro comboio de tempestades deixou marcas profundas na paisagem natural e urbana. Muitas coisas quebraram. Mas, curiosamente, muitas mais vergaram, mas resistiram.


Vi casas com janelas partidas, mas ainda habitadas. Vi campos alagados que, apesar de tudo, continuavam verdes. Vi pessoas cansadas, mas solidárias. E foi aí que a metáfora se impôs com clareza: este país pode dobrar-se sob a força do vento e da chuva, mas não parte. Há uma resiliência silenciosa, quase teimosa, que atravessa o território e as comunidades do nosso Portugal.


Essa mesma resistência sente-se também em Vila do Conde, que nas últimas semanas enfrentou estragos significativos provocados pelo mau tempo: inundações, aluimentos, cortes de estradas e danos na orla costeira. Situações difíceis, que exigiram respostas rápidas e coordenação. A Câmara Municipal e o seu Presidente, reuniram com a Agência Portuguesa do Ambiente para acompanhar e avaliar os efeitos de sucessivos episódios de intempérie que, desde novembro, continuam a afetar as zonas ribeirinhas e a frente marítima. E bem, porque há problemas que não se resolvem sozinhos, nem em isolamento. Exigem articulação, responsabilidade partilhada e visão de longo prazo.


Mas, mesmo quando o chão e o céu parecem instáveis, o Concelho continua a avançar e os desígnios deste Presidente cumprem-se. No próximo dia 28 de fevereiro será inaugurada a nova Unidade de Saúde das Caxinas — um equipamento estruturante, aguardado há muito pela população das Caxinas e da Poça da Barca. Pensada para servir mais de 15 mil utentes, esta unidade representa mais do que um edifício novo: é um sinal claro de investimento na dignidade, na proximidade e na qualidade dos cuidados de saúde primários. Em tempos difíceis, cuidar das pessoas é também uma forma poderosa de resistência.


A mesma lógica se estende à solidariedade demonstrada para com outras regiões duramente atingidas pelo mau tempo. Vila do Conde mobilizou-se para apoiar comunidades do centro do País. Associações e instituições locais uniram esforços, enviando geradores, materiais de construção, bens alimentares, produtos de higiene, sacos-cama, mantas e cobertores. Quando o país verga, é a rede humana que impede que quebre.


E enquanto se responde à urgência, prepara-se o futuro. A nova ponte sobre o Rio Ave deu um passo decisivo, avançando para a fase de estudos técnicos após uma reunião de Vítor Costa no Ministério das Infraestruturas e da Habitação. Trata-se de uma infraestrutura estratégica, não apenas para a mobilidade, mas como fator determinante para o crescimento económico e para a coesão territorial. Em paralelo, arrancam em março novas edições do Procedimento de Atribuição de Habitação, reforçando a resposta municipal às necessidades habitacionais e concretizando investimentos significativos na oferta pública de habitação. Enquanto isso outras mais se constroem…


No regresso da minha viagem, ficou-me uma convicção simples, mas firme: há muito que precisa de ser reparado, sim. Há feridas abertas na paisagem e na vida das pessoas. Mas há também uma capacidade admirável de adaptação, de entreajuda e de construção coletiva. Tal como as árvores que se vergam ao vento sem partir, como as comunidades que se reorganizam depois das tempestades, como as instituições que continuam a trabalhar mesmo sob pressão.


Portugal, Vila do Conde, podem vergar. Mas não quebram. E é nessa resistência tranquila, feita de coragem, de gestos concretos e decisões estruturantes, que se constrói, se reconstrói e se decide o futuro. Esse onde estaremos a acompanhar.

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