Os últimos quinze dias foram marcados pelas últimas eleições autárquicas, o impacto dos seus resultados e pelas cerimónias de tomada de posse onde destaco o discurso do Presidente Vítor Costa, bastante inspirador na minha opinião.
Ao ouvi-lo e pensando nos desafios que se nos apresentam nos dias que correm, acredito, cada vez mais, numa “política circular”. Uma política que não descarta pessoas, nem ideias, nem experiências. Uma política que recicla o melhor do passado, transforma o erro em saber e devolve à comunidade a energia que dela recebe. Uma política que se renova sem romper com o essencial — o trabalho, o serviço público, o bem comum. Este é um paralelismo com a “economia circular”, o modelo que procura dar nova vida ao que parecia ter chegado ao fim, reaproveitando recursos, reduzindo desperdícios, criando valor onde antes havia apenas resíduos e onde nada é definitivamente de ninguém. Mas, ao contrário da economia, a política circular não é um conceito técnico. É uma atitude. E é, ao mesmo tempo, um antídoto contra dois perigos: a volatilidade do voto e o crescimento das forças extremistas.
Até por isso as recentes eleições autárquicas em Vila do Conde foram, nesse sentido, um exemplo vivo desse ciclo regenerador. Foram eleições livres e justas, onde — como disse o presidente Vítor Costa — “ganharam os vilacondenses e venceu a democracia”. Numa época de desinformação e descrença, a elevada participação eleitoral e os resultados foram um sinal de maturidade cívica. Mostraram que os cidadãos continuam a valorizar o trabalho, a proximidade e a coerência.
Num tempo em que o populismo e o radicalismo procuram ocupar o espaço da esperança, os vilacondenses escolheram o caminho da responsabilidade e da confiança, não há como negar. Essa confiança nasce essencialmente do trabalho. E foi isso também que Vítor Costa sublinhou: “Agora é tempo de ação e de trabalho. É tempo de governar para todos os vilacondenses.” Esta ideia de continuidade e responsabilidade coletiva é, no fundo, a base da política circular — aquela que não se esgotou na vitória, mas que recomeça em cada gesto, em cada decisão e em cada projeto.
A política em geral precisa de se recentrar no essencial: nos valores, na ética e na proximidade. Em Vila do Conde, isso traduz-se em trabalho concreto, nas escolas requalificadas, nas redes de água e saneamento que chegam a mais famílias, nas novas creches e nos programas de habitação que dão resposta a jovens e famílias da classe média… Traduz-se também na ambição de afirmar o concelho como território de excelência e de cultura, desde as rendas de bilros ao centro histórico que se prepara para uma candidatura à UNESCO.
Mas, como o próprio autarca lembrou, “o que falta fazer é sempre mais importante do que o que já foi feito”. É essa consciência de continuidade, de ciclo, que distingue a política circular da política descartável. Governar é isso, recomeçar todos os dias. É a arte de reciclar o melhor do passado, corrigir o que correu mal e projetar o futuro com humildade e determinação. É o que permite transformar o voto em compromisso e a confiança em ação. E é também o antídoto contra a desumanização que ameaça a política contemporânea. Contra o medo e o ódio que alimentam os extremismos, contrapõe-se o valor do trabalho, da proximidade e da solidariedade — “porque Vila do Conde precisa de todos”, como lembrou o Presidente. “Todos somos poucos para o muito que há a fazer”.
Essa é, no fundo, a essência do que chamo de política circular: o retorno da confiança. O círculo virtuoso entre quem governa e quem é governado. A ideia de que a política, quando feita com seriedade e com ética, devolve à sociedade o que dela recebe — e multiplica o bem comum.
É uma forma de resistência, contra o desperdício das palavras vãs e contra o extremismo das soluções aparentemente fáceis. É a esperança de que, tal como na economia, também aqui se possa fechar o ciclo, regenerar a confiança, recomeçar, sempre, com a convicção de que vale a pena acreditar no trabalho, na proximidade e na Política. No fundo, acreditar no Futuro. Cá estaremos.














