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4 de Novembro, 2026 13:17

Outono. A luz que fica.

João Amorim Costa

João Amorim Costa

Arquiteto

Gosto desta luz de outubro. Da forma serena como chega às ruas, demora nas fachadas e nos lembra que o tempo passa, mesmo quando andamos demasiado ocupados para reparar. A nossa Vila do Conde tem uma beleza particular também nestes dias: o rio, o mar, as árvores e nós, pelo meio, a tentar perceber o que fica e o que muda…

Há qualquer coisa de mágico nesta atenção às coisas simples. À luz, à água, à vida que cabe numa palavra pequena e, ainda assim, fica em nós. Talvez também devêssemos olhar assim para a nossa terra: demorar um pouco mais nas notícias e perceber as pessoas que estão dentro delas.

Uma escola que vai ser requalificada é uma criança que poderá aprender com mais conforto. Uma rede de saneamento que chega a uma freguesia é uma preocupação a menos dentro de uma casa. Um antigo convento que recebe futuros magistrados é património que ganha vida, portas que se abrem, gente nova que chega e passa a fazer parte dos nossos dias. É também disso que esta edição fala.

Nas Caxinas, a adjudicação da requalificação da Escola do Plano Centenário abre caminho a melhores condições para alunos e professores. Na mesma comunidade, a ampliação do cemitério, para a qual foi expropriado o terreno necessário, procura responder a uma espera que pesa sobre muitas famílias. Há uma responsabilidade muito humana em cuidar destes dois lugares: aquele onde começamos a descobrir o mundo e aquele onde guardamos quem nos ensinou a conhecê-lo.

Essa atenção ao essencial estende-se às freguesias do concelho, onde o investimento previsto de oito milhões de euros em água e saneamento procura responder a necessidades concretas do quotidiano. Trata-se de garantir aquilo que cada família tem o direito de encontrar quando abre uma torneira. De levar melhores condições de vida a quem ainda espera por elas.

Ao completar-se um ano deste segundo mandato, Vítor Costa merece que se reconheça este caminho. Procurar financiamento, estabelecer parcerias e fazer avançar respostas concretas exige trabalho, persistência e capacidade de decisão. Há mérito político nessa ação e há, sobretudo, o enorme valor que ela terá na vida das pessoas. Algumas obras estão agora a começar, outras terão ainda caminho pela frente. Mas as decisões tomadas e os passos dados permitem parar, olhar, dar atenção e acreditar.

Esta vontade de avançar encontra também expressão em quem investe e trabalha no concelho. Em Rio Mau, a Quantal inaugurou uma nova unidade industrial. O mérito pertence a quem arrisca, a quem dirige e a quem, todos os dias, dá corpo à empresa com o seu trabalho. É também dessa coragem que se faz o futuro de Vila do Conde. Da vontade de crescer aqui, de criar oportunidades aqui, de levar mais longe o nome da terra onde se nasceu, onde se viveu, para onde se mudou e onde se permanece.

Talvez seja isso que mais me toca nas notícias desta edição. Por detrás dos investimentos, dos projetos e das obras, há vidas que se cruzam com a nossa. As crianças das Caxinas. As famílias das freguesias. Quem chega ao Carmo para estudar. Quem entra numa fábrica para trabalhar. É nos seus dias, tantas vezes longe das manchetes, que estas decisões hão de mostrar o seu real valor.

Neste outono, encontro razões para acreditar. As folhas caem, a cidade muda de cor e há quem continue a cuidar dela, a trabalhar por ela, a imaginar o que ainda pode ser. Gosto de pensar que o futuro começa assim. No cuidado que dedicamos ao lugar a que chamamos nosso e no valor que damos às coisas simples – aquelas que tornam esta Terra com mais ou menos luz, mas sempre especial. Essa luz com outros tons, que se vai embora mais cedo, mas que saberemos todos aproveitar para parar, usufruir e continuar.

E nós, por aqui, a acompanhar.

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