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Entrevista a Luana Dourado

JVCDesportoBodyboardEntrevista4 meses atrás

Com apenas 16 anos, Luana Dourado é já um dos maiores nomes do bodyboard nacional e europeu. A vila-condense tem vindo a somar títulos e a afirmar-se no circuito internacional. 

O JVC falou com a bodyboarder sobre o seu percurso, conquistas, inspirações e ambições futuras.

– Como começou a prática de Bodyboard?
Comecei a praticar bodyboard aos 11 anos, num ATL de verão. Foi uma experiência simples, mas que me marcou logo desde o início. A partir daí nunca mais parei e o mar passou a fazer parte da minha rotina.

– Quando percebeu que gostava da modalidade a nível competitivo?
Desde cedo gostei muito da sensação de estar no mar e da adrenalina de apanhar ondas. Com o tempo comecei a ver vídeos de atletas, a observar as manobras e a querer aprender cada vez mais. Foi aí que percebi que queria evoluir, executar manobras mais difíceis e chegar ao topo da modalidade.

– Que influência tiveram as ondas do norte na sua formação enquanto atleta?
As ondas do norte tiveram uma influência muito grande na minha formação. Aqui treinamos em condições muito variadas, com diferentes tipos de ondas, marés e vento. Mesmo quando as condições não são ideais, vou para o mar, e isso ajuda-me a estar preparada para qualquer situação que possa encontrar em competição.

– Até ao momento, qual foi o título que mais gostou de conquistar e porquê?
O título de Campeã Europeia Open. Foi especial porque competi com atletas que sempre foram uma grande inspiração para mim, como a Joana Schenker e a Alexandra Rinder. Além disso, senti que todo o trabalho e treino diário estavam a dar resultados e que tinha evoluído muito como atleta. Mas não podia deixar de referir que foi igualmente importante o primeiro título Sénior, Campeã Nacional Open com apenas 15 anos.

– Quais são os principais desafios que encontra na prática da modalidade?
Um dos maiores desafios é o fator financeiro, especialmente para competir no circuito mundial, que envolve várias etapas em diferentes partes do mundo, maioritariamente na América. Como não existe apoio da federação nem do Estado, torna-se complicado. Felizmente conto com o apoio da Câmara Municipal de Vila do Conde, através do programa de apoio ao atleta de alta competição, do meu Clube, Clube Naval Povoense, ajuda de algumas empresas e dos meus pais que são os meus “Paitrocionios”.

– Como lida com a pressão externa quando entra numa prova como favorita?
Entro sempre no mar consciente do meu potencial, mas nunca com a ideia de que o resultado está garantido. O bodyboard é um desporto imprevisível: podemos não apanhar a onda certa, falhar uma manobra ou surgir uma adversidade que não controlamos. Por isso foco-me apenas em dar o meu melhor dentro de água.

– Para si, o que é mais difícil: chegar ao topo ou manter a consistência depois das vitórias?
Chegar ao topo é difícil, mas manter a consistência depois das vitórias é ainda mais exigente. Sabemos que as adversárias continuam a evoluir e, para manter bons resultados, é preciso trabalhar constantemente, melhorar todos os dias e nunca acomodar.

– O que mudou na sua preparação — física e mental — desde as provas júnior até às sénior?
Nas provas júnior entrava muitas vezes a comparar-me com as outras atletas. Com a participação nas provas sénior percebi que, no bodyboard, qualquer coisa pode acontecer e que a concentração faz toda a diferença. Hoje a preparação mental é muito mais focada, sabendo que quem estiver mais concentrado naquele momento pode vencer.

– O que significa para si representar Portugal nas competições internacionais?
É um sentimento de realização. Quando comecei, o meu sonho era ser campeã nacional júnior. Com o tempo, os objetivos foram crescendo e hoje continuo a alimentar um grande sonho: ser campeã mundial e levar o nome de Portugal mais longe.

– Que atleta internacional admira e porquê?
Admiro muito a Joana Schenker, o Pierre Louis Costes e o Armide Soliveres. A Joana é uma grande referência não só pelos títulos que conquistou, mas também pela sua postura fora de água e pelo seu trabalho na proteção do oceano como ativista ambiental. Também admiro o Pierre e o Armide porque para além de surfarem muito bem, fora de água têm uma postura exemplar.

– Que mudanças gostaria de ver na modalidade?
Gostaria de ver mais apoio ao bodyboard, tanto a nível institucional como financeiro, para que os atletas possam competir em igualdade de condições. Também seria importante uma maior divulgação da modalidade, para atrair mais praticantes, patrocinadores e reconhecimento.
E sem dúvida voltar a existir a Seleção Nacional e à semelhança do que acontece com o surf a existência da modalidade nos jogos olímpicos.

– Quais são as suas ambições futuras na prática desportiva?
A minha ambição é continuar a evoluir tecnicamente, dominar todas as manobras do bodyboard e alcançar o meu maior objetivo: tornar-me Campeã Mundial.

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