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Porque “Vila do Conde é mais mistério do que um arrastar de pés”

João Amorim Costa

João Amorim Costa

Arquiteto

Esta foi a frase que retirei de uma publicação de Pedro Abrunhosa, depois daquele que classificou como um dos mais arrebatadores espetáculos dos últimos tempos. Troquei apenas uma palavra. Onde ele escreveu “vida”, eu escrevi “Vila do Conde”. E talvez nunca uma alteração tão pequena tenha feito tanto sentido.

Faz por estes dias seis anos que me tornei diretor do Jornal de Vila do Conde. Não gosto de personalizar demasiado estes momentos, mas não posso deixar de assinalar esta data. Talvez porque, mais do que um jornal, o JVC tenha sido sempre um ponto de encontro entre quem vive, sente e gosta desta terra.

Nestes seis anos mudámos muito. Lançámos a edição digital, chegámos a novos leitores e modernizámos a forma de comunicar. Mas também procurámos preservar aquilo que nos distingue. A partir desta edição, o Jornal de Vila do Conde regressa ao papel original com que nasceu, recuperando uma textura que faz parte da memória de gerações de leitores. Porque há jornais que não se limitam a ser lidos.

Sentem-se nas mãos e guardam-se na memória.

Num destes finais de tarde, a ver o pôr do sol na praia, voltei a sentir aquilo que torna Vila do Conde especial. As famílias, as esplanadas cheias, quem caminhava, quem corria, quem trabalhava e quem simplesmente aproveitava o momento. Uma cidade viva.

Mais tarde, ao ouvirmos o Coro de Claves do Conservatório de Música de Vila do Conde partilhar o palco com Pedro Abrunhosa, sentimos todos aquele arrepio que só alguns momentos conseguem provocar.

Durante alguns minutos, a música, a emoção e o orgulho de sermos desta terra pareciam confundir-se numa só voz. Foi único. Foi nosso. O mesmo sentimento de pertença que, por estes dias, se vive nas Festas de São João.

São dias em que Vila do Conde se reencontra consigo própria. E foi por isso que nesta edição quisemos também dar voz ao Rancho da Praça e ao Rancho do Monte. Porque as tradições não sobrevivem sozinhas. Precisam de quem as viva, de quem as preserve e de quem as passe às gerações seguintes.

Mas Vila do Conde não se sente apenas na celebração. Sente-se também nas escolhas que fazemos para o futuro.

Esta semana, o concelho recebeu pela segunda vez o Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz. E não foi uma visita qualquer. Foi o momento da assinatura do acordo de colaboração entre o Município de Vila do Conde e a Infraestruturas de Portugal para o desenvolvimento dos trabalhos técnicos da futura ponte rodoviária sobre o rio Ave. Uma infraestrutura há muito desejada e que irá transformar a mobilidade do concelho, reforçar a segurança rodoviária e preparar Vila do Conde para as próximas décadas. No mesmo dia foram também entregues 91 fogos de habitação ao abrigo do Programa 1.º Direito. Dois momentos diferentes, mas unidos pela mesma ideia: construir futuro.

Juntam-se a este caminho a inauguração do Parque dos Avós e do Parque das Dálias, a proteção do litoral em Vila Chã e Mindelo e a requalificação da EB1/JI de Modivas. Sinais de um concelho que continua a investir na qualidade de vida das pessoas, na sustentabilidade, na educação e em melhores condições para quem aqui vive ou escolhe viver.

E quando olhamos para muitos destes e outros projetos e obra feita, torna-se difícil dissociar esta transformação da liderança de Vítor Costa. As obras não acontecem por acaso. Exigem visão, persistência e capacidade de concretização. Ano após ano, é impossível ignorar a marca que esta liderança tem deixado na evolução do concelho.

Por muito ruído que os algoritmos amplifiquem e por algumas maldades que alguns, poucos é certo, insistam em espalhar, a verdade continua a encontrar-se onde sempre esteve: nas pessoas, nas ruas, nas escolas, nos parques, nas praias, nas festas e nos muitos dias felizes que esta terra continua a oferecer.
Talvez seja por isso que Vila do Conde continua a escapar às descrições simples. Não é apenas uma cidade. Não é apenas um concelho. É uma forma de estar. Uma forma de viver.

Por isso, talvez Pedro Abrunhosa tenha razão. Vila do Conde é muito mais mistério do que um arrastar de pés. É uma terra que continua a surpreender-nos. Que continua a fazer-nos sentir em casa, a querer ficar, ou a querer vir para cá mo morar e trabalhar. E nós por cá, a acompanhar.

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