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Suplementação no primeiro ano de vida: as vitaminas

O primeiro ano de vida é um período determinante para o crescimento e o desenvolvimento neurológico, metabólico e imunitário do bebé. Nesta fase, as necessidades nutricionais são particularmente elevadas e dependem não só da ingestão energética, mas também da adequada densidade de micronutrientes, nomeadamente vitaminas e minerais essenciais. O organismo do bebé passa gradualmente da dependência das reservas fetais e do leite (materno ou fórmula) para a ingestão progressiva de alimentos complementares.

A partir dos 6 meses, com a introdução da alimentação complementar, a OMS recomenda a manutenção do aleitamento materno ou fórmula, associada a alimentos nutricionalmente densos. Nesta transição, a suplementação e a fortificação assumem um papel relevante na prevenção de carências, sobretudo em contextos de risco como prematuridade, baixo peso ao nascer, anemia materna, ingestão alimentar inadequada ou dietas vegetarianas e veganas.

Entre as vitaminas, a vitamina D destaca-se pelo seu papel no metabolismo do cálcio e fósforo e na mineralização óssea. A suplementação diária de 400 UI até aos 12 meses é amplamente recomendada, independentemente do tipo de alimentação, como estratégia eficaz na prevenção do raquitismo. A exposição solar segura e a ingestão alimentar adequada complementam, mas não substituem, a suplementação.

A vitamina K é essencial para a coagulação sanguínea e saúde óssea, sendo administrada de forma rotineira ao recém-nascido como profilaxia da doença hemorrágica neonatal, uma intervenção comprovadamente eficaz. A vigilância é reforçada em lactentes com condições clínicas específicas.
A vitamina A desempenha funções cruciais na visão, imunidade e integridade epitelial. Embora a deficiência grave seja rara em países com boas condições nutricionais, a ingestão adequada deve ser assegurada através do leite materno, fórmulas fortificadas e, após os 6 meses, alimentos ricos em betacaroteno. A suplementação de rotina não é geralmente indicada em lactentes saudáveis.

A vitamina C contribui para a síntese de colagénio, função antioxidante e absorção do ferro, sendo especialmente relevante durante a alimentação complementar. A oferta de frutas e legumes ricos nesta vitamina melhora a biodisponibilidade do ferro, um aspeto importante na prevenção da anemia.
As vitaminas do complexo B, em particular a vitamina B12, são fundamentais no primeiro ano de vida. A deficiência de B12 pode provocar anemia megaloblástica e alterações neurológicas potencialmente irreversíveis. Lactentes de mães veganas ou inseridos em dietas isentas de produtos de origem animal requerem suplementação obrigatória e acompanhamento profissional.

Outras vitaminas, como a vitamina E, estão habitualmente garantidas pelo leite materno ou fórmulas infantis. A suplementação específica destas vitaminas só se justifica em situações clínicas particulares, como má absorção, colestase ou prematuridade, devendo ser sempre individualizada e supervisionada por profissionais de saúde.

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