Publicidade

21 de Agosto, 2026 19:08

Entrevista ao Fundador e ao Presidente ACICP

JVCEntrevista1 ano atrás

Zhirong Lin e Yilang Lin Fundador e atual Presidente ACICP

Sobre o entrevistado

Comunidade chinesa em Vila do Conde: integração, investimento e gratidão

Em Vila do Conde reside a maior comunidade chinesa em Portugal, estimada em cerca de 8 mil pessoas. Uma presença marcante, alicerçada em laços fortes com a cidade e sustentada por uma dinâmica de investimento, integração e contributo social. O Jornal de Vila do Conde conversou com Zhirong Lin, fundador da Associação dos Comerciantes e Investidores Chineses em Portugal (ACICP), e com Yilang Lin, o atual presidente da direção, para conhecer melhor o passado, o presente e o futuro desta comunidade tão relevante para o concelho.

Como surgiu a ACICP e quais foram os objetivos iniciais?

A Associação dos Comerciantes e Investidores Chineses em Portugal foi fundada em 2012, em Vila do Conde, com o propósito de apoiar a vinda de comerciantes e investidores chineses para Portugal. Foi criada como uma plataforma de apoio e integração para quem chegava, promovendo um ambiente de cooperação entre as comunidades chinesa e portuguesa.

Sentimo-nos verdadeiramente em casa em Vila do Conde. As nossas crianças foram sempre muito bem recebidas nas escolas, e a integração tem corrido de forma exemplar” – Zhirong Lin, fundador da ACICP

Vila do Conde é hoje o principal ponto de concentração da comunidade chinesa no país. Como se explica esta forte presença?
Vila do Conde foi uma espécie de ponto de partida – uma ponte entre a China e Portugal. Estabeleceram-se aqui os primeiros grandes negócios e, naturalmente, mais compatriotas seguiram o mesmo caminho. Hoje, muitos chineses que chegam a Portugal escolhe Vila do Conde como destino. Tornou-se o centro de gravidade da nossa comunidade.

Foi uma escolha natural ou estratégica?
Foi uma combinação de fatores. Em primeiro lugar, a forma calorosa como fomos recebidos pelos vilacondenses e pelo Município foi determinante. Depois, Vila do Conde tem uma localização privilegiada: está perto do Porto de Leixões, do aeroporto, das principais vias rodoviárias e até da fronteira com Espanha, o que facilita os negócios e atrai muitos clientes espanhóis. A existência da Zona Industrial, com armazéns de grande dimensão, também foi fundamental para o desenvolvimento dos nossos negócios.

Como têm sido acolhidas as famílias chinesas?
Sentimo-nos verdadeiramente em casa. As nossas crianças foram sempre muito bem recebidas nas escolas, e a integração tem corrido de forma exemplar. Eu estou em Portugal há 34 anos, dos quais 20 vividos em Vila do Conde. Já me sinto vilacondense, tal como a minha família e muitos membros da comunidade. Muitos dos nossos filhos já nasceram aqui – são portugueses e vilacondenses de coração.

Que tipo de contributo a vossa comunidade dá ao concelho?
Cumprimos todas as nossas obrigações fiscais e trabalhamos diariamente para o desenvolvimento económico de Vila do Conde. Contribuímos para a criação de riqueza e para o dinamismo do comércio local. Estamos gratos pelo acolhimento e procuramos, sempre que possível, retribuir. Nunca esqueceremos quem nos estendeu a mão.

Queremos continuar a investir e a promover a cultura chinesa, temos sido bem acolhidos e temos sabido retribuir. Além disso, há uma troca cultural cada vez mais intensa” – Yilang Lin, presidente da ACICP

Quantos associados tem atualmente a ACICP?
Temos cerca de 150 associados. A maioria está estabelecida em Portugal – de norte a sul do país – mas também temos associados na China, que mantêm ligação connosco através da atividade comercial.

Quais são os eixos de atuação da Associação?
Apoiamos a instalação de comerciantes e investidores chineses em Portugal, nomeadamente em processos burocráticos, legais e logísticos. Ajudamos também as famílias no processo de integração. Além disso, servimos de ponte entre empresários chineses que permanecem na China e o mercado português, facilitando as exportações. Por outro lado, promovemos a exportação de produtos portugueses para a China – como o vinho e o azeite, que são muito valorizados no nosso país.

A vossa ação estende-se também ao plano social?
Sim, temos um compromisso com a responsabilidade social. Já colaborámos com os Bombeiros Voluntários de Vila do Conde, por intermédio da Câmara Municipal de Vila do Conde, oferecendo água e leite em alturas críticas de combate a incêndios, e cabazes de Natal para quem mais precisa. Durante a pandemia, fizemos doações de máscaras e outros materiais de proteção.

O Ano Novo Chinês tem vindo a ganhar expressão em Vila do Conde. Como têm vivido essa celebração?
Temos vindo a organizar celebrações do Ano Novo Chinês em várias cidades – Lisboa, Porto, Coimbra – mas em Vila do Conde tem sido especial. A Câmara Municipal e o seu Presidente, Vítor Costa, tem-nos apoiado muito, promovendo a inclusão e valorizando a diversidade cultural. Este ano tivemos uma enorme adesão ao desfile na cidade, o que nos deixou muito felizes.

Como se organizam para uma festa desta dimensão?
A ACICP tem um papel central, mas não trabalha sozinha. Juntamos várias associações representativas de diferentes regiões da China e contamos com o apoio da Embaixada da China em Portugal. A união de esforços permite-nos realizar eventos mais ricos e representativos da nossa cultura.

Quais são os projetos para o futuro?
Estamos focados em continuar a apoiar os vilacondenses e em atrair novos investidores. Também queremos reforçar a promoção da cultura chinesa em Portugal, através de eventos e iniciativas que aproximem ainda mais as duas comunidades.

Tem-se falado na possibilidade de uma geminação com uma cidade chinesa. Há novidades?
Essa ideia tem sido discutida e existe vontade de concretizá-la. Há várias possibilidades de cidades chinesas como Lishui, Wenzhou e Fujian. Estamos todos a trabalhar para que essa ligação se torne realidade.

Como antecipa o futuro da comunidade chinesa em Vila do Conde?
Vejo um futuro muito positivo. Temos sido bem acolhidos e temos sabido retribuir. Além disso, há uma troca cultural cada vez mais intensa. Celebramos o Ano Novo Chinês aqui, mas também festejamos o Natal na China. Essa fusão de culturas só nos enriquece. No fundo, também somos e sentimos-mos portugueses.

O Jornal de Vila do Conde agradece a vossa disponibilidade e deseja muito sucesso à comunidade chinesa, que tem contribuído de forma tão significativa para o dinamismo económico e social do concelho.

Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...

PUBLICIDADE