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Vancowork: o sonho que começou numa estrada distante e encontrou casa em Vila do Conde

JVCEntrevista6 meses atrás

Entrevista a Tiago Gomes, CEO e fundador da Vancowork

Depois de anos a viajar pelo mundo e de ter ficado retido na Indonésia durante a pandemia, onde criou um projeto de apoio a artesãos locais, Tiago Gomes regressou a Vila do Conde. Dessa experiência nasceu a vontade de fazer diferente no seu território. Em Aveleda, fundou a Vancowork — o primeiro van cowork de Portugal — um espaço pioneiro onde se constroem e transformam carrinhas camperizadas, mas também uma comunidade que atrai clientes nacionais e estrangeiros. Hoje, o jovem vilacondense lidera um projeto que une criatividade, técnica e espírito de liberdade, colocando Vila do Conde no mapa europeu da cultura van life. E tudo começou numa estrada distante que, afinal, o conduziu de volta a casa.

Como nasceu a Vancowork e o que o motivou a criar este projeto em Vila do Conde?

A Vancowork nasceu de uma combinação entre o meu percurso de vida e uma necessidade real que identifiquei no mercado português. Depois de vários anos a viajar, a viver em diferentes países e a trabalhar remotamente, percebi que o estilo de vida nómada estava a crescer, mas faltavam infraestruturas que apoiassem quem queria construir ou viver numa campervan. Apesar de existirem muitas empresas de aluguer de autocaravanas, poucas são as empresas apoiam quem tem como sonho viajar em uma carrinha camperizada.
Quando regressei a Vila do Conde, percebi que este seria o lugar perfeito para criar o primeiro van cowork do país.
Um espaço comunitário que une criatividade, conhecimento e liberdade.

Como descreve o conceito da Vancowork e que principais serviços coloca hoje à disposição dos clientes?

A Vancowork é um conceito pioneiro em Portugal: um espaço onde qualquer pessoa pode construir, melhorar ou gerir a sua campervan, com apoio profissional, acesso a ferramentas e materiais especializados.
Hoje oferecemos sete serviços principais: Camperização – conversões completas de carrinhas; Estação de trabalho (cowork) – espaços de 30m² com ferramentas e apoio técnico para quem deseja construir ou melhorar a própria carrinha; Parque e estacionamento; Loja física e online com materiais para conversão; Aluguer de carrinhas; Gestão de carrinhas durante a épocade aluguer; Legalização de veículos.
É um ecossistema completo onde as pessoas podem encontrar qualquer serviço necessário para usufruirem ou partilharem a sua carrinha camperizada.

O que distingue a Vancowork das restantes empresas de conversão de vans e serviços ligados ao “van life”?

O que nos distingue é o modelo colaborativo. Na Vancowork, o cliente não é apenas um comprador ou utilizador de serviços, é parte ativa do processo.
Além disso, somos o primeiro Van Cowork de Portugal. Temos um espaço de 500m² dedicado exclusivamente a este universo.
Oferecemos apoio técnico constante, workshops e manuais de instalação padronizados.
Pensamos a experiência do cliente de forma global, desde a compra do material até à gestão da carrinha depois da conversão.
Criamos um sentimento de comunidade, inovação e partilha, valores que nem sempre se encontram neste sector.

Por que escolheu Aveleda para instalar a empresa e de que forma o território tem contribuído para o crescimento do projeto?

Escolhi Aveleda porque representa o equilíbrio perfeito: estamos a 5 minutos do aeroporto, perto da cidade, mas também próximos do mar e da natureza. Temos os principais centros de distribuição perto de nós e acesso a fornecedores locais de alta qualidade. É um ambiente que combina tranquilidade com acessibilidade.

A sustentabilidade e o estilo de vida nómada influenciam a forma como trabalham? Como se reflete isso na empresa?

A sustentabilidade está no centro do nosso trabalho. Usamos materiais de qualidade, duráveis e eficientes, e incentivamos soluções de energia autónoma, como sistemas solares e elétricos bem dimensionados.

Quantas pessoas compõem a equipa e quais têm sido os principais desafios de gerir e desenvolver a Vancowork?

A nossa equipa tem vindo a crescer e hoje somos cinco pessoas, cada uma com um papel muito específico e essencial no funcionamento da Vancowork.
Jorge – Responsável de Marketing
O Jorge é uma peça fundamental na empresa. Está connosco desde o início, conhece a Vancowork de cima a baixo e tem sido um dos grandes motores do nosso crescimento. Apesar de jovem, é extremamente competente e profissional. Muito do impacto que temos vindo a ganhar deve-se ao trabalho dele.
Nailson – Responsável por Metalurgia e Carpintaria
O Nailson é o nosso especialista em estrutura e materiais. Trabalha a metalurgia e a carpintaria com precisão e cuidado, garantindo que cada carrinha tem uma base sólida, segura e bem executada. É alguém em quem confiamos totalmente para transformar um projeto em realidade.
João – Gestor de Frota (Verão) e Responsável pelos Sistemas de Água e Acabamentos
No verão, o João assume a gestão das nossas carrinhas de aluguer, garantindo que tudo corre de forma fluida. Durante o resto do ano, dedica-se aos sistemas de água e aos acabamentos finais das conversões, assegurando que cada detalhe fica impecável.
Bilal – Responsável pelos Sistemas Elétricos e Carpintaria
O Bilal é quem assegura que toda a componente elétrica das carrinhas é feita com rigor e segurança. Além disso, apoia também a carpintaria, contribuindo para soluções elegantes e funcionais dentro das vans.
O maior desafio tem sido coordenar várias áreas em simultâneo — construção, loja, cowork, gestão de frota e clientes internacionais — mas esta equipa tem demonstrado uma enorme competência e capacidade de adaptação. Sentimos que estamos cada vez mais preparados para crescer com solidez.

A Vancowork atrai muitos clientes estrangeiros. A internacionalização faz parte da estratégia a médio prazo?

Sim, recebemos muitos clientes estrangeiros, especialmente franceses, alemães, suíços e holandeses. A proximidade ao aeroporto, o clima e os custos competitivos fazem de Vila do Conde um ponto estratégico.
A internacionalização já não é apenas um objetivo mas sim parte da nossa identidade. No médio prazo queremos posicionar a Vancowork como referência ibérica na construção e no cowork de carrinhas camperizadas.

Que projetos e sonhos tem em mente para a empresa?

Temos vários projetos em mente: Expandir a loja com uma gama completa de materiais especializados; Produzir as nossas próprias soluções modulares de mobiliário; Criar formações e certificações para quem quer aprender a construir a sua van; Transformar a Vancowork num hub internacional de criatividade sobre rodas.
O meu sonho é que alguém, em qualquer parte da Europa, associe “Vancowork” a qualidade, comunidade e inovação. Quero que os amantes de viagem de carrinhas tenham a Vancowork como um local de referência para aprender, construir e cumprir os seus sonhos.

Percurso pessoal do jovem fundador da Vancowork

Viveu em vários países antes de regressar a Portugal. Que aprendizagens dessas viagens mais influenciaram o seu percurso?

Viver em vários países permitiu-me ver o mundo com olhos diferentes. Aprendi a adaptar-me, a trabalhar com pessoas de culturas distintas e a valorizar a liberdade e a vida simples. Cada país trouxe algo: disciplina, criatividade, espiritualidade, organização, pragmatismo. Tudo isso influenciou a forma como criei a Vancowork e como penso o trabalho.

Como foi ficar retido na Indonésia durante a pandemia e que impacto teve a criação de um projeto de apoio a artesãos locais que desenvolveu nesse período? Fale-nos sobre esse projeto.

A Indonésia marcou-me profundamente. Fiquei retido lá durante a pandemia e, em vez de viver aquele período como um bloqueio, transformei-o num projeto de impacto. Criei uma iniciativa de apoio a artesãos locais que ficaram sem rendimentos. Ajudámos dezenas de famílias a vender os seus produtos online, garantindo-lhes sobrevivência e dignidade.
Esse projeto ensinou-me duas coisas: Mesmo nos piores momentos, é possível criar algo bom e que o verdadeiro valor está nas pessoas, não nas coisas.

Depois de tantas experiências internacionais, o que significa para si regressar e investir em Vila do Conde?

Regressar a Vila do Conde depois de tantas experiências internacionais foi muito especial para mim. É a minha casa, o lugar onde cresci, e onde quero contribuir com algo diferente. Investir aqui é devolver ao território tudo aquilo que ele me deu: estabilidade, identidade e raízes.
Sempre senti que acabaria por voltar, mas queria crescer como pessoa e trazer para Vila do Conde algo diferenciador, autêntico e que marcasse a vida das pessoas.

Que mensagem deixa aos jovens vilacondenses que desejam criar um negócio ou seguir um caminho de sucesso como o seu?

Aos jovens vilacondenses deixo uma mensagem simples: não tenham medo de começar. O caminho faz-se a caminhar e ninguém começa pronto. Experimentem, falhem, aprendam, levantem-se e tentem outra vez.
O mundo está cheio de oportunidades para quem é persistente e curioso. E se puderem, criem algo que ajude outras pessoas — o impacto será sempre maior do que imaginam.

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